sexta-feira, 30 de abril de 2010


Eu, ou quem sabe, a doce Dulcinéia esperando Rocinante chegar, bem ao lado de Don Quixote, um cavaleiro andante prá lá de de sonhador.

sábado, 13 de março de 2010

HORA DE ALÍVIO


Favor fechar a porta transparente aos ruídos da rua, meu coração precisa de tempo e silêncio...precisa velejar por águas rasas, voar rasteiro e muito alto, colhendo emoções.
Favor acreditar no que o silencio pede e adormecer na plumagem branca do sonho. Deixar de vez que a esperança, pena de pássaro que já voou por todos os cantos, possa chegar.
Favor fechar a porta e me deixar só por um instante, olhando o que mais me interessa nesta vida...a simplicidade de ser feliz, a morna maciez da sua boca-alimento.
Nada mais quero que muito silêncio rondando ao meu redor, com suas fitas e balairinas que dançam e entrelaçam o sossego. Quero também sons muito distante de trovões anunciando a chuva, chuva que tarda pelos caminhos azulados do céu e que eu feito planta tenho sede ampla de corpo e alma alimentados. Favor fechar também todas janelas, cortinas e fendas. Preciso da serenidade da penumbra, da vagarosidade dos reflexos, e, me nutrir assim das coisas que me faltam e que me falam aos sentidos.
Favor fechar as portas da fala, da audição. Favor trancar todos os choros nas gavetas vazias da saudade. Favor acomodar os sentimentos, as sensações e as verdades em lugares bem visíveis.
Favor florescer o vaso e expô-lo aos besouros.
Favor tirar as teias do ranso, atinar na alegria. Afinal, como depois da tempestade, também é hora de ver a vida se reconstruindo. Hora de afagar com alívio as mãos suaves que descosturaram ponto a ponto o bordado da manhã para colorir de azul as bordas da noite e sonhar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Livros


Sem os livros somos sonhos sem cor.
Somos música sem melodia,
mudez plena.
Voo podado.
Soldado sem pátria.
Sem os livros somos nus.
Não por liberdade,
mas por pobreza absoluta.